Ilustres de Vila Real

Publicado em Concelho

 

CARVALHO ARAÚJO
José Botelho de Carvalho - N. 18.Mai.1881 no Porto, freguesia de São Nicolau. Viveu os dois primeiros meses no Porto, após o que veio para Vila Real, onde os pais viviam. Faz os preparatórios para a Escola Naval, na Academia Politécnica do Porto, entre 1897 e 1899. Incorporou-se na Marinha neste último ano. Casou em 13.Jan.1906 com Dona Ester Ferreira de Abreu, sua parente afastada. Defendeu os ideais republicanos. Foi deputado pelo círculo de Vila Real. Foi encarregado de diversas missões e prestou serviço em diversos navios. Regressado a Lisboa após uma missão como Governador do Distrito de Inhambane, em Moçambique, é colocado no comando do “Augusto de Castilho”, com a missão de patrulhar as carreiras dos paquetes entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores. No âmbito dessa missão, cabe-lhe comboiar o “São Miguel”, entre o Funchal e Ponta Delgada. Na madrugada de 14.Out.1918, surge o submarino alemão “U-139”, que ataca o “São Miguel”. Carvalho Araújo morre ao comando do seu caça-minas. A sua heroicidade é considerada o maior feito da nossa participação na Grande Guerra. | 01.Mai.1918: homenagem a Carvalho Araújo. | 20.Mar.1919: o seu nome é atribuído, por proposta da União Artística Vila-Realense, à então Avenida Municipal. --.--. | Jan.1923: O jornal “A Democracia”, fazendo eco de alguma opinião pública, sugere que seja erigido, por subscrição pública, um monumento a Carvalho Araújo. | 1924: Inauguração do monumento, da autoria do escultor Anjos Teixeira, por subscrição pública nacional. | 12.Abr.1969: A tripulação do paquete “Carvalho Araújo” presta homenagem em Vila Real ao herói. | 18.Mai.1981: comemoração do centenário do nascimento. || Bibl: 01. “A Carvalho Araújo no Centenário do seu nascimento”, Vila Real, 1981; 02. Ficha da Tertúlia de 1999.

BARRIAS
Miguel - Pintor. Funda no Porto, em Jan.1929, com Heitor Cramez, uma empresa de ensino por correspondência na área do desenho, designada por Escola Nacional de Desenho. Assume as funções de professor provisório da Escola Comercial e Industrial José Júlio Rodrigues no ano lectivo de 1929-30, substituindo Trindade Chagas.

BARRIGAS
Aureliano de Almeida - Nasceu em Vila Real nos primeiros anos da década de 90 do século passado e aqui faleceu em 1948. Filho do cirurgião militar do Regimento de Infantaria 13, Dr. Manuel Lopes Barrigas. Frequentou a Escola de Desenho Industrial D. Luiz I, onde teve como professor Trindade Chagas e se revelou um aluno distinto. Veio a ser desenhador, capista, cartazista e também caricaturista de mérito. A sua fortuna permitiu-lhe dedicar-se àquilo de que verdadeiramente gostava e praticar os talentos com que nasceu. Elegeu o desporto mecânico como seu preferido, embora não desdenhasse o futebol. Foi também fotógrafo amador de certo mérito. Mostrou caricaturas, numa sala própria, durante o I Congresso Trasmontano, realizado em Vila Real entre 07 e 16.Set.1920. Foi um dos fundadores e incentivadores do Circuito Automóvel. Interessado em questões de mecânica, escreveu (e ilustrou a capa e o texto) dois livros: “A inflamação eléctrica por magnete ou bateria nos automóveis” e “Como tratar o meu automóvel”, ambos de 1928. Nos anos 20 promoveu algumas corridas de motos, assim como gincanas e exposições de carros, numa actividade que viria desembocar nas primeiras corridas de automóveis, realizadas em 15.Jun.1931, integradas nas Festas da Cidade. || Bibl.: 01. Ficha da tertúlia de ...; 02. Catálogo da exposição sobre o Circuito Internacional.

BIEL
Karl Emil - (Baviera, 1838 - ?, 19.Set.1915). Ficou ligado à iluminação eléctrica pública. Adquire a empresa de Leopoldo Augusto das Neves, que passava por dificuldades, e dá finalmente corpo à iluminação eléctrica. Feitas algumas experiências preliminares, a luz é inaugurada oficialmente em 13.Jun.1894, em plenas festas da vila. Mas só mais tarde, com a nova central do Terragido, a situação se normalizará. Biel manteve até ao fim a sua relação com Vila Real. Biel foi também grande fotógrafo e editor. Da sua colaboração com Manuel Monteiro surgiram obras como “A Arte e a Natureza em Portugal” (1907) e “Douro 1900”. || Bibl.: Ficha n.º 21 do Ciclo História ao Café.

BORGES
Filipe Correia de Mesquita [Pe.] (1871-1951) - Emigrou muito novo para o Brasil, a chamamento de um tio. Vive lá catorze anos, alguns dos quais frequentando a Escola Naval e fazendo o tirocínio para oficial da Marinha de Guerra brasileira. Com a morte do tio, regressa a Portugal. Confronta-se então com a sua vocação sacerdotal de sempre e segue para Braga, onde tira o curso de Teologia, um pouco já sobre o tarde (1902), o que de alguma forma se reflectiu beneficamente no seu ministério, dada a experiência de vida acumulada. De novo em Vila Real, já ordenado, desenvolve uma intensa actividade, sendo pároco de São Pedro, pároco de São Dinis, responsável pelo vicariato (antes da criação da Diocese) e vigário geral substituto, na ausência de Mons. Jerónimo Amaral. Com este, de quem era amigo íntimo, leva avante o projecto de construção da capela de Nossa Senhora de Lurdes. Desempenha funções de capelão do asilo O Amparo de Nossa Senhora das Dores e dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública, e secretário da irmandade de São Pedro. O rei D. Manuel II concede-lhe, em 1910, o título honorífico de capelão-fidalgo da Casa Real. Mas a sua actividade não se esgota no plano eclesiástico. Tem igualmente importante actividade cívica. Durante o surto da gripe pneumónica, em 1918, trabalha junto da Cruz Vermelha no apoio aos enfermos e suas famílias, o que lhe vale a atribuição de uma condecoração, das três que aquele organismo lhe atribuiu. Faz parte da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e Hospital da Divina Providência de Vila Real, na condição de vogal em 1928, secretário em 1929 e, no final deste ano e primeiro trimestre de 1930, nas funções de provedor. Faz também parte da Junta Geral do Distrito, como vogal, em 1930 e, num momento em que se verifica mudança de governo e o presidente da Junta pede a sua exoneração, no início de 1931, assume estas funções como vogal mais velho. Mantém-se sempre muito próximo da comunidade. Vive no n.º 4 da Rua Nova, em espaçosa casa de família, com onze quartos e capela, onde rezava missa assistido pelo sacristão Bebiano, com um jardim de buxo ao gosto dos séculos XVII e XVIII e um quintal em socalcos sobre o Corgo que produzia duas pipas de vinho e fruta. Aí vai aos poucos formando uma biblioteca e desenvolvendo o gosto pelo património e pelo coleccionismo, gosto que transmite aos seus sobrinhos (selos, caixas de fósforos, antigualhas, arte sacra - colecções hoje dispersas pelos seus sobrinhos-netos). O Padre Filipe gostava de dar longas caminhadas, de fumar, de ouvir uma ou outra anedota, de pregar a sua partidazinha e sobretudo de cultivar amizades, privilegiando os comerciantes Relvas e Roberto de Jesus. Embora fosse monárquico, é bem conhecido o apoio que deu à fuga de alguns republicanos perseguidos durante a Monarquia do Norte. Gozava aliás de grande prestígio, mesmo junto de individualidades republicanas, sendo frequentemente convidado para integrar comissões de âmbito cultural, em que participavam as mais diferentes sensibilidades políticas. Por exemplo, a convite de Adelino Samardã, faz parte da comissão que equacionou o Museu Regional, em 1923, ao lado do Maj. António Fernandes Varão, Dr. Pedro Maria da Cunha Serra, Pintor Bernardino Raul Trindade Chagas, Dr. João António Cardoso Baptista e Dr. João Avelino Pereira da Rocha. Faz igualmente parte da comissão que reformula o projecto, em 1930, ao lado do Dr. Henrique Ferreira Botelho, Carlos Monteiro de Barros, Dr. Pedro Maria da Cunha Serra, Dr. Sebastião Augusto Ribeiro, Armando Augusto Ribeiro. Pertence ainda a outras comissões de âmbito cultural. O seu gosto pelas antiguidades deve ter estado na origem da sua escolha para organizar, por ocasião do Congresso Trasmontano de 1920, a exposição de arte sacra, patente no edifício do Liceu, na qual é mostrado o melhor que existe nas igrejas de São Francisco, São Domingos, Carmo, Clérigos e ainda Lordelo e Alijó. Virá posteriormente a ser o responsável por todas as exposições desta natureza realizadas em Vila Real, responsabilidade em que lhe sucederam o Padre Armindo --- e mais tarde o Padre João Ribeiro Parente. 29.Abr.1996: a Câmara Municipal de Vila Real deliberou atribuir o seu nome a um arruamento da cidade.

BROUILLARD
Mme. (Vila Nova, Folhadela 09.Nov.1852 - Lisboa, 04.9.1925) - De seu verdadeiro nome Virgínia Rosa Teixeira. Célebre quiromante no seu tempo. Andou pelo Brasil. De regresso a Portugal instalou-se em Lisboa (Rua Nova do Carmo, 43, sobreloja), onde granjeou fortuna e enorme clientela. Diz-se que até João Franco se aconselhava com ela. Publicou o «Livro de Madame Brouillard - Divinação do passado, presente e futuro», que teve pelo menos duas edições (1907 e 1916). Fez testamento a favor da Santa Casa de Misericórdia de Vila Real, o que motivou querelas com a família, que chegou a sequestrá-la. Faleceu em Lisboa em 04.9.1925. Foi trasladada para Vila Real e jaz no seu mausoléu do cemitério de S. Dinis. || “Madame Brouillard é o nome profissional adoptado por uma Virgínia Rosa Teixeira, nascida em Vila Nova, freguesia de Folhadela, deste concelho de Vila Real, em 9 de Novembro de 1852. Os anos da sua formação são-me inteiramente desconhecidos. Sei apenas que Virgínia Rosa saiu de Vila Real, casou, divorciou-se, viajou pela Europa e América do Sul, estudou, ilustrou-se na arte de predizer o futuro nas linhas da palma da mão. Deve ter regressado a Lisboa pelos começos do século e montou banca de quiromante na Rua Nova do Carmo, 43, sobreloja. Cedo conquistou fama e clientela, entre a qual se diz que avultava o nome sonoro de João Franco. Em consequência da fama e clientela, conquistou também uma considerável fortuna. É então que, perfeitamente instalada no meio, se abalança em 1907 a editar um livro sobre a “divinação do passado, presente e futuro”, que conheceria pelo menos uma nova edição em 1916.” (de uma crónica de A. M. Pires Cabral, no “Repórter do Marão”) || Objecto de Tertúlia História ao Café em 27.Out.1998, apresentada por A. M. Pires Cabral. V. ficha respectiva.

CARNEIRO
António Tibúrcio Pinto - N. São Mamede, Borbela, em 10.Jul.1826. Bacharel formado em Direito. Conselheiro. Dinamizador em 1856 de uma associação de cidadãos para accudir aos incendios, embrião das futuras corporações de Bombeiros. Director da primeira corporação de bombeiros voluntários. Deputado às Cortes por Vila Real em 1860. Governador civil 01.Jun.1871/1879 e novamente em 1881. Co-fundador, com Estanislau Correia de Matos, do «Vilarealense» em 1880. Fez parte da comissão de reforma toponímica de Serpa Pimentel, nomeada em 19.Fev.1866. || V. retrato de Pastor.

CAMILO CASTELO BRANCO
Camilo Castelo Branco nasceu em 1825, em Lisboa, mas os seus antepassados paternos são de Vila Real. A chamada Casa dos Brocas, na rua que tem hoje o nome do romancista, foi mandada construir pelo seu avô, o doutor Domingos José Correia Botelho. Camilo viveu alguns anos da sua infância e adolescência em Vila Real e Vilarinho da Samardã. Nesta pitoresca aldeia das faldas do Alvão, existe ainda a casa onde morou. Alguns quilómetros acima, o Fojo do Lobo, cujo funcionamento Camilo tão magistralmente descreve numa das «Novelas do Minho». A cidade de Vila Real, por seu turno, está também cheia de memórias de Camilo. Aqui deu os primeiros passos na literatura, enviando combativos artigos de índole política para os jornais do Porto. A Casa dos Brocas, a Quinta de Montezelos, a Rua Direita, o Bairro dos Ferreiros e outros lugares ainda nos falam da presença de um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos.

CÉSAR
Augusto - Começou como empregado de comércio, no Porto, e professor de primeiras letras na freguesia de Folhadela, onde tinha parentes. Mas a sua verdadeira vocação era o jornalismo. Publicou quatro pequenas novelas, a que chama romances, de feição ultra-romântica: “Historia para Infelizes” (1864), “Uma Sepultura no Cemiterio de São Dinis” (1868), “A Filha do Pescador de Leça” (1870) e “O Engeitado” (1872). Em 1873 funda “O Transmontano”, em que assegura praticamente todas as funções. O jornal é impresso no prelo existente na Junta Geral do Distrito, com autorização do Governador Civil, Conselheiro António Tibúrcio Pinto Carneiro. O jornal dedica muita da sua atenção a temas de grande alcance social. Ficou lendária a postura deontológica de AC como jornalista. A sua acção política não se esgota na direcção de “O Transmontano”, que, vindo a lume como “folha popular e literária”, cedo se assume como jornal democrático e enfim republicano. Foi presidente, em 1876, do Centro Republicano local e, no princípio dos anos 90. Num comício, Magalhães Lima, um conhecido propugnador da ideia republicana a nível nacional, chama-lhe “o grande sonhador”. Faleceu em 1894, de anemia. O seu funeral foi muito concorrido. Após a sua morte, o Centro Republicano local adopta o seu nome. Adelino Samardã relança, em 1897, o jornal, agora com o título de “O Trasmontano”, apondo ao cabeçalho a referência “Fundador: Augusto César”. O Asilo-Escola D. Manuel II passa a chamar-se, após o advento da República, Asilo-Escola Augusto César. A Câmara Municipal deu o seu nome a uma rua. || V. catálogo da Exposição “Augusto César - o grande sonhador”.

CORREIA
António Narciso Alves - N. 03.Jul.1810, em Gestaçô, no concelho de Baião. Teve pelo menos cinco filhos: Francisco Joaquim (v.); António e Luís, falecidos prematuramente; Elisuarte Augusto (v.); e António Narciso (v.). Em 1856 já residia em Vila Real, desenvolvendo actividade de relojoeiro e de tipógrafo. Esta última actividade, de que existem muitos testemunhos desde 1859, desenvolve-se possivelmente na primeira oficina particular instalada em Vila Real, de sua propriedade. No seu estabelecimento comercial vendiam-se os mais diversos artigos, desde violinos Stradivarius a revólveres e balas, passando por estojos e caixas de tinta para desenho e pintura e óculos “em todos os graus”. Escreve, entre outros títulos: um “Código Social, base da Federação Luso-Brasileira”; “Tratamento da vinha ou nova educação da videira”; “O Oidium e os philloxeras. Sua origem e modo de os combater. Nova educação da videira e cultivo por meio da replantação – Cultura do Tabaco”; “Almanack Agrícola Villarealense”; “Propaganda Sanitária”; “A previsão do tempo para o corrente ano de 1895 – a Medicina Astronómica – A saúde das videiras e o Fim do Mundo!!!”; “Modo de conservar, readquirir e vivificar a potência”. Inventor mirabolante. Um dos primeiros fotógrafos em Vila Real, senão o primeiro (atelier “Photographia Villarealense”). Em 1889 desloca-se a Paris, à Exposição Universal, na companhia de Francisco Maria Freixo, Custódio Correia Pereira (v.), Avelino Patena (v.), Alfredo Melo e José de Figueiredo e Amaral. || Bibl: 01. Texto de Elísio Amaral Neves no folheto da exposição «Máquinas de Arraiais, Balões Venezianos, Aeróstatos, Dirigíveis e Outras Coisas» (1981); 02. Catálogo da exposição de 1999.

CRAMEZ
Heitor - Pintor e professor da ESBAP do Porto. Nasceu em Vila Real em 01.Dez.1889. Faleceu em Mira em 30.Ago.1967. Foi aluno distinto da Escola de Desenho Industrial, cujo curso terminou no ano lectivo de 1904-05, com 18 valores. O director da Escola na altura, Nuno de Novais Júnior, estimulou-o a seguir estudos de Belas Artes. Viveu em Paris no início da década de 20. Primeira exposição em Abr.1925, no Ateneu Comercial do Porto. Funda no Porto, em Jan. 1929, com Miguel Barrias, uma empresa de ensino por correspondência na área do desenho, designada por Escola Nacional de Desenho. Inaugura em 15.Fev.1929, no Salão Silva Porto, no Porto, uma nova exposição. Foi professor provisório da Escola Comercial e Industrial José Júlio Rodrigues, em 1930, e professor agregado entre 1932 e 1938. Agraciado com o grau de Oficial da Ordem de Instrução Pública. Em 1972, realiza-se em Vila Real uma exposição, no âmbito das comemorações do VII Centenário do Foral de 1297, de que o Dr. Otílio Figueiredo foi um dos principais promotores e que chamou localmente a atenção para a importante obra do pintor. || Bibl.: Catálogo da exposição de 1972.|| Icon.: Dois auto-retratos e várias reproduções no referido catálogo.

FIGUEIREDO
Otílio de Carvalho [Dr.]- (19.Ago.1909-05.Set.1988). Médico (lic. 07.Nov.1935) estilo João Semana, escritor, pintor, músico. No final da vida (a partir de Nov.1984) tornou-se editor-livreiro. Cidadão exemplar e interveniente, e pessoa muito estimada, tendo desenvolvido várias campanhas de promoção cultural e educação sanitária do povo, em Justes, onde casou e exerceu medicina durante algum tempo. Grande opositor do Estado Novo, foi demitido do cargo de médico municipal em 08.Jun.1949, por motivos políticos. Na juventude pertenceu ao Grupo de Adueiros nº 24, de inspiração republicana, tendo sido nomeado adail. Em Mar.1929 publica, com letra de Santos Carneiro, o tango “Quem te disse?” Fundou e dirigiu a Casa de Saúde de Vila Real, mais tarde designada Clínica do Prof. Doutor Bissaya Barreto. || Obra literária principal: O ABC das mães (divulgação científica); Os cem anos da Avó Ricardina; Ressuscitemos os cravos vermelhos; O Cabo Mingas; e A praga dos gafanhotos (romances); Gente Simples; Canhenho dum Médico (1ª parte) e Canhenho dum Médico (2ª parte) - Histórias deste mundo e do outro (contos); Era uma vez!... (literatura infantil); Interlúdio (odes); Pórtico [Vila Real]; Homenagem ao Marechal Costa Gomes (opúsculos). || Bibl.: Ficha nº 18-A do Ciclo História ao Café.

MONTEIRO
Miguel - Célebre fotógrafo e editor de postais ilustrados. Fundou com António Teixeira a Fotogtafia Trasmontana, em 1920. Republicano. “Muitos outros, como o sr. Miguel Monteiro, que obsequiosamente nos enviou estes clichés devem a vida ao terem-se ausentado de Vila Real, por haverem sido insistentemente procurados pelos trauliteiros” (“Illustração Portugueza”, ---?)

MORAIS
José Cabral Teixeira de - Bacharel formado em Leis, do Conselho de Sua Majestade, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, comendador das Ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. *Governador civil 12.Abr.1847. Ficaram célebres as suas desavenças com Camilo Castelo Branco.

RIBEIRO
João Baptista - (São João de Arroios, 1790 - Porto, 1868) Pintor, desenhador, gravador. Lente de desenho e director da Academia Politécica do Porto. || Bibl.: Ficha nº 13, do Ciclo História ao Café.

RIBEIRO
Sebastião Augusto - Elemento destacado do Partido Nacionalista em Vila Real 1923. Preso em 30.Jan.1919 pelos monárquicos. Governador Civil do distrito. Fez parte da comissão que reformulou o projecto do museu em 1930. Director da Escola Industrial e Comercial de Vila Real entre 1927 e 1961. Foi homenageado pelos professores e alunos da mesma em 21.Dez.1948. Em 11.Out.1956 foi-lhe concedido o grau de Oficial da Ordem de Instrução Pública pelo Presidente da República Craveiro Lopes.

ROÇADAS
Gen. José Augusto Alves - O dia 01.Abr.1865 é, presumivelmente, a data de nascimento do General Alves Roçadas, visto que foi nesse dia que foi exposto na roda de Vila Real. Herói nas campanhas de pacificação do sul de Angola e, mais tarde, no comando de uma expedição destinada a proteger da gula dos alemães as fronteiras da mesma colónia. Assentou praça aos 17 anos de idade. Aos 29 era capitão e aos 32, na mesma patente, foi nomeado Chefe do Estado-Maior em Angola. Depois de uma passagem pela Índia, voltou a Angola em 1905, sendo então feito Governador do Distrito de Huíla e chamando a si um importante papel na ocupação dos territórios do sul, onde os cuamatas se revoltavam contra o domínio português. A sua folha de serviços inclui ainda os cargos de Governador de Macau, Governador Geral de Angola e, durante a I Grande Guerra, já no posto de General, Comandante da 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na Flandres. Faleceu em Lisboa, em 28.Abr.1926. | Ver panfleto publicado por ocasião da inauguração do seu monumento em 27.Set.1997.

SAMARDÃ
Adelino - Primeiro Governador civil após a implantação da República, tendo tomado posse às 20 horas do dia 06.Out.1910, perante numerosas testemunhas. No dia 07.Out.1910 (em que foi feita a proclamação da República em Vila Real) fez ao povo, das varandas dos Paços do Concelho, uma alocução patriótica. O cargo foi transitório. Em Fev.1912 é nomeado Governador civil substituto. Lêem-se @ 29.Fev.1912 palavras do vereador Guilhermino Vieira da Silva: As suas eminentes qualidades de trabalho e isempção, o seu senso practico e o seu conhecimento que tem dos homens e da situação politica da região e o prestigio que aureolou o seu nome emquanto esteve á frente do districto(...) Á sua inconfundivel modestia não fica mal o cargo de Governador civil depois de haver exercido o mesmo logar como governador effectivo (...) Na mesma data, a CM manifesta ao Ministro do Interior o seu intimo regozijo por ver de novo á frente dos negocios do Districto (...) o inclito cidadão Adelino Samardã. | Em 18.Out.1929 a Câmara Municipal adquire a biblioteca de Adelino Samardã (309 volumes).

SERRA
Dr. Pedro Maria da Cunha – Reitor do Liceu. Fez parte da comissão que equacionou o Museu Regional em 1923. Fez parte da comissão que reformulou o projecto do museu em 1930.

SIMÕES
Dr. Nuno - Governador civil 1915 / 1917. Tomou posse em 28.Mai.1915. Várias vezes deputado por Vila Real.

MONSENHOR JERÓNIMO AMARAL
Nascido na Casa de Urros, em Mateus, em 1859, começou por se doutorar em Direito Civil e Canónico pela Universidade de Coimbra, em 1882. Mas cedo se revelou nele a vocação religiosa, que o levou a ordenar-se no Seminário de Viseu, em 1892. Dedicou-se então à vida sacerdotal e à educação da juventude, tendo fundado o Colégio de Nossa Senhora do Rosário em Vila Real. Em 1896 ascendeu à dignidade de Monsenhor e passou a exercer o cargo de Protonotário Apostólico em Vila Real. Mas foi sobretudo no campo da benemerência que se distinguiu. Dotado de uma enorme bondade e vontade de ser útil, doou grande parte da sua fortuna pessoal à comunidade. Faleceu em 1944.

ADELINO SAMARDÃ
Nascido em Vila Real em 1863. A sua carreira de combate político inicia-se com a colaboração em jornais de Lisboa e Porto. Em 1891, funda o seu próprio jornal, «O Povo do Norte», grande propagador da ideia republicana, que iria ter uma longa existência. Com a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, foi nomeado Governador Civil do Distrito. Para além da sua actividade como político e como jornalista, Adelino Samardã dedicou-se ao ensino primário e à arqueologia. Foi ainda grande defensor de causas públicas, como a construção da Linha do Corgo, a introdução da energia eléctrica em Vila Real e a criação de um Arquivo Distrital e de um Museu Regional. Faleceu prematuramente em 1929.

ALMEIDA LUCENA
Nasceu em 1836 na Freguesia de S. Pedro, Vila Real, e morreu na Foz do Douro, em 1874. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1859, e veio instalar banca de advogado em Vila Real. Ganhou grande fama como advogado. Cedo porém começou a interessar-se pela política, ingressando no Partido Regenerador. Depois de ter sido por diversas vezes administrador do concelho, acaba por desempenhar as funções de Presidente da Câmara nos biénios de 1867/68 e 1872/73. Homem enérgico e de larga visão, rasgou novos arruamentos e beneficiou os existentes. Teve também especiais cuidados com a higiene e salubridade pública, tomando diversas medidas para as proteger.

TRINDADE CHAGAS
O pintor Bernardino Raul Trindade Chagas viveu em Vila Real entre 1906 e 1929. Veio para exercer as funções de único professor da Escola de Desenho Industrial D. Luiz I e aqui acabou por se fixar. Republicano, exerceu actividade política autárquica e funções de representação do Governo em diversas ocasiões. Finalmente, como pintor naturalista, capta de forma superior a paisagem e os costumes de Vila Real.

JOÃO BAPTISTA RIBEIRO
Notável pintor, desenhador e gravador, natural de Arroios (1790-1868). Lente da Academia Politécnica do Porto e director da Academia da Marinha e Comércio do Porto.

MANUEL DUARTE DE ALMEIDA
Poeta de grande mérito. Nasceu em Vila Real, em 1844. Publicou, entre outros títulos, “Estâncias ao Infante Dom Henrique” e “Ramo de Lilazes”.

ANTÓNIO LOPES MENDES
Agrónomo e médico-veterinário. Nasceu em Vila Real em 1835. Viajou muito pelo mundo (Índia, Brasil, Peru), integrado em missões científicas. Destas missões deixou publicado abundante material escrito e também pictórico, pois era também um exímio desenhador.

DOM PEDRO DE CASTRO
Célebre eclesiástico, abade de Mouçós, que chegou a ser protonotário apostólico. Viveu no séc. XVI e foi um dos grandes beneméritos de Vila Real, tendo mandado executar, a expensas suas, diversas igrejas e outras obras de interesse público, como a ponte de Santa Margarida, o chafariz doTabolado e outras.

DIOGO CÃO
Grande navegador que descobriu a foz do Zaire, no séc. XV. É tradição que nasceu em Vila Real, onde ainda existe uma bonita casa de feição medieval que se diz ser a da sua família.

MORGADO DE MATEUS
D. José Maria de Sousa Botelho Mourão desempenhou vários cargos de grande responsabilidade, como militar e diplomata. Mas o seu nome está sobretudo ligado a uma das mais belas edições de sempre de “Os Lusíadas”, feita à sua custa e sob a sua supervisão em Paris, em 1817, com gravuras dos artistas franceses Fragonard e Gérard.

JÚLIO ANTÓNIO TEIXEIRA
Nasceu no Brasil em 1901 e faleceu no Porto em 1967. Médico, político, e sobretudo investigador na área da genealogia, tendo publicado, entre outras obras, uma importante obra de referência, intitulada “Fidalgos e Morgados de Vila Real e Seu Termo”.